Sao Paulo

1º Fórum de Educação na KidZania

Dr. Ger Graus esteve na capital paulista para o primeiro Fórum de educação da KidZania

 

“As crianças só podem aspirar ao que conhecem”. Esta frase foi repetida inúmeras vezes pelo Diretor Global de Educação da KidZania, Dr. Ger Graus, durante sua permanência de quatro dias em São Paulo. Aos 61 anos, o holandês radicado na Inglaterra esteve pela primeira vez no Brasil para reuniões no evento Bett Brasil Educar, maior feira do setor de educação no mundo, e a primeira edição do Fórum de Educação na KidZania São Paulo.

 

Dr. Ger Graus é uma figura de renome no campo da educação. Detém o título de Oficial Honorário da Ordem do Império Britânico, recebido na última celebração do Jubileu da Rainha Elisabeth e resultado do serviço feito às crianças.

 

“Muita gente me pergunta como é ter um título do Império Britânico. Sempre explico que o mais valioso é ter este título por reconhecimento ao trabalho que fiz, e sigo fazendo, pela educação das crianças. Educar é diferente de lecionar. As escolas precisam entender que as crianças nascem criativas e curiosas. Apenas aplicar provas e dar uma nota é uma visão limitada do que é educação”, diz Dr. Ger Graus, que em sua permanência de quatro dias em São Paulo aproveitou para realizar reuniões que instituições ligadas não apenas à educação, mas na transformação da sociedade através do incentivo à independência e autoestima. “Se os estereótipos são definidos aos quatro anos, por qual motivo a escola e a sociedade esperam até os 15/16 anos para começar a conversar com eles sobre profissões?”, complementa Dr. Ger, que palestrou para patrocinadores, representantes comerciais, diretores de escolas e funcionários.

 

Dr. Ger ocupa desde março de 2017 o cargo de primeiro diretor global de educação da KidZania. Antes da KidZania, Dr. Ger foi fundador da The Children's University em 2007. Sob sua liderança, a Children's University tornou-se uma instituição de caridade internacional vencedora de vários prêmios.

 

“Os adultos precisam lembrar que um dia já foram crianças. Por isso locais como a KidZania são importantes nesta jornada de independência delas. Muitas vezes os pais querem que as crianças participem de uma atividade específica porque eles gostariam de ter esta experiência quando eram crianças. Sempre que encontro um adulto na KidZania eu peço para que ele deixe a criança tomar suas próprias decisões”, diz Dr. Ger.

Com uma amostragem de mais de 400 mil crianças, a KidZania realizou extensas pesquisas no Reino Unido, México e Índia para aprender mais sobre as aspirações das crianças e as atividades que eles preferem, dependendo da idade, gênero e nível socioeconômico.

 

A pesquisa foi realizada dados anônimos sobre a primeira escolha de atividades das crianças, coletados dos braceletes que eles usam para segurança na KidZania. Nos três locais, as amostras consideram apenas informações de visitas de escolas públicas e privadas a KidZania, durante um ano. Os resultados da pesquisa eram bastante similares, apesar da disparidade econômica, política e social entre os países. Essa semelhança sugere que as crianças são de alguma forma educadas da mesma forma ou estão expostas a estímulos similares.

 

As meninas tendem a escolher atividades tipicamente relacionadas à população feminina, como esteticistas ou cabine da tripulação em um avião, enquanto os meninos escolheram atividades como engenheiros, bombeiros ou médicos.

 

“Como um reflexo disso, incentivamos a KidZania a colocar monitores mulheres na oficina mecânica e monitores homens na passarela de moda. Esta mudança simples promove incentivo para que mais meninas se interessem por mecânica e vice-versa”, afirma Dr. Ger.   

 

A principal diferença entre as descobertas refere-se ao tipo de atividades que as crianças escolhem com base em sua idade. Na KidZania de Londres, os meninos tendem a escolher atividades projetadas para crianças mais velhas. Enquanto isso, as meninas preferiam atividades abaixo de sua idade. No caso do México, meninos e meninas escolheram atividades acima de sua idade. No entanto, há uma mudança quando as meninas têm 8 anos de idade. Naquela idade, as meninas mudam de comportamento e escolhem atividades abaixo da idade; elas também tendem a ignorar atividades relacionadas à tecnologia.

 

Essa mudança de comportamento sugere que as crianças precisam de modelos e novas aspirações, uma vez que a educação ultrapassa as paredes de uma sala de aula; Também inclui livros, mídia e aprendizagem fora da sala de aula, que as crianças recebem de suas experiências com suas famílias e amigos.

 

Outra semelhança é a correlação entre privação de crianças e o tipo de atividades que eles escolhem. Meninos e meninas de um nível socioeconômico mais baixo tendem a escolher atividades relacionadas a serviços e negócios. Essas descobertas sugerem a necessidade de ter uma educação de aprendizagem relacionada ao trabalho desde cedo para incentivar as crianças a terem maiores aspirações.

 

“Cada vez mais precisamos trazer crianças de regiões pobres à KidZania. Oportunizar a elas a chance de conhecer profissões que elas nem sabem que existe é fundamental para deixar elas em igualdade com as demais crianças. A experiência de estar no Brasil e vivenciar de perto a realidade do país é muito importante para seguirmos alinhado no nosso propósito: dar as crianças um mundo melhor”, finaliza Dr. Ger.

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